ACV – Análise do Ciclo de Vida

 

A ACV hoje é uma importante ferramenta para a tomada de decisão do gestor de compras, um verdadeiro aliado para que seja adotada uma política de compras sustentáveis. A ACV é abordada pelas diversas fases da vida de um produto, desde a extração de recursos na natureza, sua produção, distribuição, consumo, até a seu descarte final após o uso, daí a sua importância para uma avaliação mais correta e abrangente da aquisição quando se decidir pela sustentabilidade.

Cabe ressaltar que cada fase da ACV também passa por  uma análise de custos e impacto ambiental e social, o que determina maior ou menor grau de sustentabilidade de um produto. A origem da matéria prima pode depender do fornecedor  ou do próprio fabricante. Ela pode ser de origem reciclada ou in natura. Se reciclada, pode não ser sustentável por haver maior consumo de água e energia que o in natura em seu  processo de reciclagem. A matéria prima pode ser retirada da natureza de forma sustentável ou de forma agressiva.  Verifica se ela pode ser rastreada desde a origem, para saber se não usa mão de obra escrava ou infantil. São varias vertentes de análise apenas para uma das fases do ciclo de vida. E isso vai ocorrer em todas as demais fases em análise e dependem muito da responsabilidade socioambiental do fornecedor ou da cadeia de fornecedores.

 Tomemos como exemplo um simples lápis, que tem a madeira e o grafite como base da matéria prima na sua produção. A ACV começa pela primeira fase,  pela análise da origem da madeira. Se ela foi extraída de forma legal, de origem de florestas manejadas,   se é certificada, ou não. E o grafite, de origem mineral (carbono),  também requer cuidados na pesquisa para saber a origem das lavras e minas  de onde são retiradas é ambientalmente correta, se  tem  certificação. Se sua extração e transporte não provocou danos ambientais e foram feitas de forma sustentável.

 Se a retirada da natureza desses insumos básicos,  não agrediram o meio ambiente, se foram feitas de forma sustentável ou não, é uma questão que requer conhecimentos muito além da função do gestor de compras e dependendo da organização o processo de compras é extremamente complexo e na maioria das vezes a solicitação  parte sempre do requerimento de departamentos do que tanto podem  consumidores final ou não.

 Daí a necessidade do envolvimento de toda a organização, seja ela pública ou privada, na questão da sustentabilidade corporativa. A educação ambiental de todos os colaboradores está no cerne da sustentabilidade. À medida que forem sendo identificados os requisitos mínimos para uma compra sustentável, os produtos  já começam a passar por um processo de ACV. Devem ser analisadas toda linha de produtos e serviços comprados  pela organização e começar pelos menos complexos, estabelecendo um padrão de exigências mínimas que, sendo atendidos,  podem ser paulatinamente mais refinados em novas compras.

 Cabe assim ao gestor de compras exigir, do requerente do produto que ele vai comprar, as condições de sustentabilidade desse produto, transferindo ao requerente e usuário parte da responsabilidade nas definições dos quesitos mínimos.

  O conhecimento do ciclo de vida,  já como aliado do gestor de compras,  vai determinar em sua análise os requisitos de sustentabilidade  adotando os  padrões de requerimentos técnicos de qualquer produto que vai adquirir e, para decidir por uma compra sustentável deve inserir requisitos mínimos de sustentabilidade optando sempre pela eliminação dos mais agressivos tanto ao consumo que será destinado ao produto quanto ao resíduo que ele irá gerar.

 Voltando ao simples lápis.  Se a compra é para atender a demanda de alunos crianças, a chance de ser colocado na boca é muito grande. Portanto se tiver componentes de veneno ou chumbo na tinta e  tiver tratamento químico com produtos tóxicos na madeira, se trata de um grande perigo á saúde dos pequenos.  A decisão do gestor em exigir condições técnicas relacionadas a essas questões na produção do lápis que está comprando são essenciais e assim agindo ele estará utilizando a ferramenta da  ACV, determinante para realizar a aquisição sustentável. Depois deve-se analisar as características das embalagens, se elas estão sob o controle do fabricante, se tem informações sobre reciclagem, origem do material, etc. No caso do lápis, ele não gera resíduo pelo seu uso, pois praticamente desaparece com seu consumo total, mas se se tratar de um produto eletrônico ou outro que gere resíduo, é uma fase que deve ser analisada com muito cuidado, pois esses produtos são os que mais causam danos ambientais no seu descarte de forma incorreta.

 

Como conhecer melhor o ciclo de vida?

Um produto qualquer para ser produzido sempre passa por alguma (ou por todas)  as fases de extração e transporte, manufatura e transporte, produção, distribuição (transporte), varejo e transporte, uso,  reuso ou descarte final e, finalmente, transporte para  reciclagem. Veja que transporte está presente em muitas fases.

Da mesma forma como um produto pode ter poucos insumos como nosso lápis, ele pode conter centenas de insumos e componentes como uma televisão ou computador. Pode ter poucos fornecedores de matérias primas ou centenas de fornecedores. A responsabilidade socioambiental do fabricante passa a ser fundamental na ACV, pois como montador ou gerenciador da produção pode exigir a contrapartida sustentável na sua cadeia de produção iniciando um ciclo de vida mais responsável. Cada ação nesse sentido implicará em menos impactos ambientais e sociais.

 Assim, sucessivamente, a ACV avalia as demais fases permitindo ao gestor optar pelo que apresentar o menor impacto ambiental, contribuindo para criar um circulo virtuoso para a maior eficiência corporativa com desenvolvimento sustentável. 

Facebook Comments