Greenwashing

É mais um daqueles termos ainda sem tradução,  utilizado para designar uma ação de marketing (outro sem tradução) de uma empresa com o objetivo de mostrar à opinião pública uma imagem ecologicamente responsável dela ou dos seus produtos e serviços, quando na verdade ela tem uma atuação contrária. Se trata de uma manipulação de informação com o objetivo de mostrar à opinião pública que utiliza das boas práticas sustentáveis ou ambientais, dado que ao redor do mundo todo se torna cada vez mais importante a decisão dos milhões de consumidores por privilegiar as empresas que usam essas  práticas de sustentabilidade, e agindo assim essa ação pretende associá-las às causas socioambientais e  manter a preferência dos clientes. O termo que melhor traduziria na nossa língua seria “falsidade sustentável” ou “falsidade verde”. Na verdade é uma enganação.

Os pecados do greenwashing

O site http://sinsofgreenwashing.org/   elabora relatório  com informações sobre os sete pecados do greenwashing e relaciona uma série informações sobre produtos do mercado americano que cometem esses pecados

  • Pecado do Esquecimento Prejudicial: Quando a empresa informa que seu produto é mais eficiente energicamente, mas contém substâncias ou materiais prejudiciais ou não tem programa ambiental de recolhimento e reciclagem. Ou seja tem um quesito positivo, mas muitos negativos.
  • Pecado da falta de provas. Quando as informações ambientais não tem elementos para serem provados. Normalmente essas informações constam nos rótulos dos produtos. Exemplo dos produtos que se dizem  ser certificados  organicamente, mas sem comprovação de sua certificação.

 

  • Pecado da falsa promessa. Quando as empresa informam que seus produtos são 100% naturais mas  na verdade muitas substâncias de origem natural são prejudiciais à saúde, como o arsênio, urânio  e o formaldeído, que são da natureza mas venenosos.


  • Pecado da irrelevância. Quando as empresas informam que seus os produtos são livres de CFC ( clorofluorcarbono) e na verdade eles são há muito tempo proibidos por lei de serem utilizados. O CFC era muito utilizado  na indústria de geladeira, ar condicionado e em sprays.


  • Pecado da mentira. Quando as empresas informam falsamente que seus produtos são  certificados por um padrão ambiental  (FSC, EcoLogo, Energy Star, etc.)


  • Pecado do Falso Rótulo.  Quando uma empresa coloca no rótulo de seu produto uma imagem similar a uma certificação ambiental para induzir os consumidores a pensarem  que seu produto é um produto verde.


  • Pecado dos dois demônios. Quando uma empresa informa que seu produto é verde para um produto sem benefício ambiental algum,  como os cigarros orgânicos ou pesticidas ambientalmente amigáveis, ou  menos pior, porque todos eles são prejudiciais.

Um exemplo claro hoje de greenwashing são os chamados toner “remanufaturados”. Todos acham que se trata de uma reciclagem do produto original, mas a quase totalidade desses produtos são feitos em situações críticas,  pois o toner (pó) que se recarrega na carcaça é um produto altamente tóxico, formado de polímeros industriais, cujo manuseio sem as devidas precauções e normas de segurança de trabalho, podem vir acarretar diversas doenças respiratórias, inclusive câncer,  a quem o manuseia sem cuidados. 

Sabemos que a recarga desse tipo de produto é feita de forma artesanal, com mão de obra muitas vezes sem proteção alguma, pois qualquer pessoa pode comprar uma maquina de recarga de toner. Basta entrar no Google que verá dezenas delas á venda. 

Portanto um toner “remanufaturado”, que a princípio se pode pensar ser sustentável pelo reaproveitamento da carcaça, ao contrário, não tem qualquer sustentabilidade, pois ao final do seu uso (um toner  só consegue ser  recarregado no máximo 3 a 4 vezes) a carcaça e seus resíduos tóxicos serão descartados nos lixões, aumentando mais ainda a poluição, pois os denominados  “remanufatureiros” não tem condição de proceder a logística reversa, uma operação cara para ser executada. 

Já o toner novo, adquirido de fabricante que se compromete ao recolhimento da carcaça para descarte ambientalmente correto (manufatura reversa),  fornece inclusive o rastreamento da destinação final da carcaça e sempre trabalham com empresas certificadas ambientalmente e olha que são que são poucas empresas no Brasil que executam a manufatura reversa para esse tipo de produto, basta ver a relação delas aqui no site. 

Na questão das compras e licitações públicas, há que se considerar a Lei 12305/2010 que trata da Politica Nacional de Resíduos Sólidos, bem como o decreto 7746/2012 que regulamenta o art. 3 da Lei 8666. Dessa forma  a aquisição deve levar em consideração alguns critérios de sustentabilidade. A própria Lei 12305/2010 já coloca o gestor publico como corresponsável pela destinação do resíduo sólido e ele não pode se omitir nessa situação.

 

 

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