Obsolescência Programada

As primeiras ações que se tem notícia sobre obsolescência programada remontam os anos 30 do século passado quando as principais empresas mundiais fabricantes de lâmpadas incandescentes se reuniram em um cartel para desenvolver seus produtos com menor tempo de vida útil, cujo objetivo principal era aumentar o consumo com as trocas mais  constantes. À época, a durabilidade dessas lâmpadas passava de 2.500 horas de uso, quando se uniram para desenvolver  novos processos de engenharia para reduzir a capacidade  de vida útil dos filamentos das lâmpadas levando a uma redução para 1.000 horas.

Tal conceito se expandiu de forma mais acentuada a partir dos anos 60 com o objetivo de aumento das vendas  garantindo um consumo contínuo e crescente. Os  bens duráveis, que duravam muito, a partir de então  foi mudando. Eles passaram a ser fabricado para durar menos, acentuando-se  essa estratégia de programar antecipadamente seu fim. Surgia sempre um novo igual, mais moderno, mais bonito que também duraria menos. Todos assimilamos esse modo de negócio sem questionar, ao ponto que nos anos 80 já havia uma consciência e até mesmo uma mesmo um costume que justificava a obsolescência  rápida como o modo de vida moderno. Assim disseminou-se o descartável. Comprar produtos descartáveis passou a ser a única opção e aceitávamos tudo como fruto do progresso. Bilhões de produto  descartáveis foram consumidos desde então. E para onde vai depois de jogarmos fora? Que fabricante se preocupou com a destinação final de seu produto? Que consumidor se preocupou com isso?

 

Com o surgimento e crescimento da indústria de tecnologia de informação e comunicação criou-se até um conceito conhecido como  a Lei de Moore (Gordon Moore, à época Presidente da Intel) , que observara, já no ano de 1965, que a capacidade dos processadores dobraria a cada dois anos ao mesmo custo do anterior.  Tal observação revelou-se uma realidade presente até os dias de hoje, uma autêntica profecia.

Isso levou a indústria  de semicondutores a investir cada vez mais em pesquisas e desenvolvimento para novos chips e equipamentos de forma tão acelerada e com custos cada vez mais acessíveis que rapidamente um  computador se tornava  obsoleto.  Nessa rabeira  de tecnologia surge a telefonia móvel que seguiu a mesma tendência de obsolescência. Um simples telefone móvel de 10 anos atrás praticamente não se produz mais. Embutiram câmeras, gravadores, e outras parafernálias que se transformou num computador móvel poderoso. Surge a televisão de tela plana, objeto de consumo atual. Isso tudo é ótimo, é tudo que queremos, mas faltou a responsabilidade social e ambiental  dessas empresas  fabricantes para a troca pelo novo dando uma destinação ambiental correta para o velho. Nos dias de hoje ainda continua assim.

O bem durável ficou descartável. Acabando a garantia,  inviabilizava o conserto, pois ficava mais barato comprar outro. Eles foram programados para durarem até a garantia. O comércio global tornou mais perversa,   nos tornando vítimas dessa irresponsabilidade, com produtos ditos duráveis de nosso dia a  dia vindo dos quatro cantos do mundo. Devemos exercer nosso direito como consumidor exigindo não só a divulgação sobre o consumo adequado dos produtos, mas também sobre a sua durabilidade e maneira correta de descarte, de maneira a garantir e melhorar nossa liberdade de escolha.

Deixaram para os governos a preocupação com o imenso legado de lixo tóxico. São montanhas de lixo que produziram no curto passado. Os computadores e televisores  com  chumbo, mercúrio e outros metais tóxicos e nocivos e os celulares com suas baterias a envenenarem  o meio ambiente comprometendo uma futura geração que até provavelmente não conheceremos. E essa lista de produtos obsoletos aumenta cada dia mais e temos que dar um basta nisso.

Felizmente entre nós foi  acendida uma luz amarela e o governo instituiu a Lei 12.305\2010, compartilhando a responsabilidade  entre Poder Público, fornecedores de produtos e consumidores, sobre o ciclo de vida dos produtos e embalagens, sua  forma correta para o descarte de produtos como pilhas, pneus, óleos, lâmpadas, produtos eletrônicos e demais componentes, bem como o manejo correto de todo o lixo e sua devida reciclagem, mas ainda  falta a educação ambiental e a complementação dessa política para o reaproveitamento real dos resíduos, o incentivo  e o uso de produtos reciclados.      

Já vemos muitas iniciativas como a ONG Associação Brasileira do Ciclo de Vida ( http://www.abcvbrasil.org.br/ ) e empresas comprometidas com o fim do ciclo de seus produtos, criando programas ambientais, reciclando, minimizando o impacto no meio ambiente com o recolhimento de seu produto depois de usado, assumindo postura responsável socialmente. É para essas que devemos  dirigir nossas escolhas.

Assim, devemos todos compartilhar essa responsabilidade pensando  em destinar às nossas futuras gerações um mundo como o recebemos de nossos antepassados. É um custo alto, mas que poderemos diminuir adotando hoje a sustentabilidade como compromisso de vida, adquirindo produtos mais duráveis e comprar cada vez mais somente produtos de empresas comprometidas com  a reciclagem ao fim do seu ciclo de  vida.

Vamos descartar a obsolescência programada?

Que tal  escolher sempre produtos mais duráveis?


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