TI Verde

TI Verde é um conceito mundialmente adotado por todos os fabricantes da área de tecnologia da informação, para apresentar seus produtos e serviços em confronto com  o impacto  ambiental que os mesmos acarretam. Torná-los cada vez mais eficientes em consumo de energia passou a ser uma questão estratégica,  aliado a um modo de produção com uso de matérias primas e substâncias cada vez menos tóxicas, com um diferencial competitivo importante, dado a preocupação do mundo corporativo pela sustentabilidade.

Infelizmente como todo modo de produção envolve outro ciclo de produção, com  matérias primas basicamente formadas por derivados de petróleo e  minério, além de metais pesados como o chumbo, mercúrio e cádmio, pode-se considerar que praticamente não existe  computador sem componentes nocivos à saúde e muitos poucos são produzidos dentro de uma cadeia sustentável, já que a base da indústria dos produtos de tecnologia vem da área de extração petrolífera e de minérios  que são consideradas as maiores poluidoras do mundo. Outra questão importante no impacto ambiental causado pela TI se trata da obsolescência programada. Uma das grandes causas do maior  volume de descarte de resíduo sólido no mundo, com a alegação da renovação tecnológica, mas sem nenhuma preocupação com a preservação ambiental com o recolhimento dos produtos “velhos”, visto o alto custo dessa ação. Daí a importância compromisso ambiental do fabricante para a reciclagem assumindo a responsabilidade por toda a vida útil de seus produtos até o descarte final.

Minimizar  os  impactos ambientais com a adoção do conceito de TI Verde se voltou então basicamente para a maior eficiência energética e a capacidade cada vez maior da reciclagem imenso lixo eletrônico gerado pelo descarte oriundo  da obsolescência dos equipamentos, se tornando dessa forma uma questão estratégica para as empresas ambientalmente responsáveis, visto que os clientes e consumidores começam a dar preferência por empresas que adotam essa visão sustentável. Aqui mesmo no Brasil já temos uma classificação para enquadrar o computador verde, mas TI não é apenas computador desk top.

A simples mudança tecnológica dos monitores CRT para LCD ou LED já acarretou uma imensa economia de energia, mas e o imenso legado desse lixo de monitores com grande quantidade de chumbo  geraram?     A ONG americana Consumer Reports (www.consumeerreports.org ) avalia que apenas 10% dos computadores descartados lá são reciclados corretamente e que 80 % deles são enviados para países pobres onde a população, inclusive as crianças, desmonta as partes e peças. E aqui? Que pesquisa temos sobre o nosso lixo  eletrônico descartado? O Brasil assinou e ratificou a Convenção de Basileia, que define a importação e exportação, entre outros, de resíduos sólidos evitando o trafico ilícito de lixo eletrônico.

Grande parte das empresas preocupadas com a questão ambiental  implantou a série de normas  ISO 14001 que especifica os elementos para um sistema de gestão ambiental em todos os seus setores, habilitando-a a certificação como empresa responsável ambientalmente e isso tem envolvido os gerentes de TI a se responsabilizarem  pelos resíduos gerados na empresa relacionados aos computadores, monitores, impressoras e todos os demais  equipamentos de tecnologia descartados. Dar um destino correto significa acompanhar e garantir que  todo o processo de descarte (incineração, manufatura reversa) indo até o ciclo final do produto com a distribuição da nova matéria prima gerada pela sucata. Em relação a essa questão o Brasil estabeleceu através da Política Nacional de Resíduos Sólidos uma lei que determina que todas as empresas estabeleçam um Sistema de Gestão Ambiental de forma definitiva em suas estratégias de negócios.

Na  outra ponta, a dos fabricantes, algumas multinacionais do segmento de TI  tem programas de recolhimento do seu próprio lixo eletrônico gerado, ajudando as empresas consumidoras de seus produtos a dar o destino de acordo com as normas ambientais. Precisamos cobrar que todas assumam esse compromisso. Os consumíveis utilizados pelas impressoras também são objetos de programas de recolhimento pelas empresas fabricantes que dão um destino ambientalmente correto para o descarte. Relacionamos aqui todas elas que tem ou não programas ambientais louvando as que a apresentam, pois agrega ao preço um custo elevado de logística e tratamento final do lixo. entretanto temos muitas empresas que apenas montam os computadores sem qualquer compromisso ambiental, muitas delas multinacionais, a quem devemos virar as costas em nossa opção de compra.

Hoje a questão da eficiência energética passou a ser fundamental, visto que em todo o mundo as pessoas e as empresas estão cada vez mais conectadas, exigindo uma imensa infraestrutura de computadores e servidores para suportar a demanda dos clientes. Basta saber que só no Brasil já passamos de 200 milhões de celulares em uso e de 80 milhões de computadores, todos eles necessitando de conexão e energia para funcionar. 

Assim foram criados grandes parques tecnológicos chamados de data centers que consomem grande quantidade de energia e que oferecem, por outro lado,  soluções que minimizam esse impacto como a computação em nuvem e  virtualização de servidores racionalizando o consumo de energia na ponta. O esforço das principais indústrias do setor vem de longa data no sentido de reduzir impactos ambientais levando até a uni-las em um consórcio sem fins lucrativos ( www.thegreengrid.org ) para desenvolver métodos que aumentem a eficiência energética em seus produtos destinados a data-centers.

Esse é o caminho,  união entre os fabricantes e usuários, estes aumentando a eficiência e se responsabilizando pelos seus resíduos eletrônicos e aqueles, buscando soluções para a redução dos gastos com energia e separando o seu lixo,  criando efetivamente as condições para a sustentabilidade na área da tecnologia da informação, uma verdadeira TI verde.

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